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Um brinde
à Vila Mariana
Entre prédios com varandas envidraçadas e residências que colecionam mais de um século de existência, a Vila Mariana, no centro-sul de São Paulo, tem ganhado um novo título: o de point gastronômico que reúne bares e restaurantes para todos os gostos. Figurinha carimbada em roteiros gastronômicos pela cidade, o bairro chegou a ser listado pela revista Exame, em março de 2024, como uma das regiões que mais crescem em variedade de consumo na capital. Localização estratégica, metrô na porta e uma vibe que tem atraído estudantes, executivos e moradores fazem da Vila Mariana um destino curioso para quem quer explorar a noite paulistana.
No radar gastronômico de executivos e universitários, o bairro têm atraído visitantes pela sua vida noturna regada à muitos bares
"Por estar próximo da faculdade, que é o local onde eu mais tenho convivido ultimamente, todos os meus amigos estão concentrados aqui",
diz Marina Vitória, 22 anos, estudante universitária que não esconde que, dentre as dezenas de opções noturnas da cidade, a Vila Mariana é um de seus principais destinos para tomar uma cerveja com os colegas. E ela parece não ser a única. Se por um lado a fama de reduto universitário é mérito de um bairro que concentra ao menos três universidades em um raio de até 5 quilômetros (Belas Artes, ESPM,

Faculdade Paulus de Comunicação e FMU), por outro, a região também tem sido o ponto de encontro de quem procura um ambiente descontraído pós-expediente.
"Sinto que aqui não é preciso muito esforço para encontrar barzinhos com preços justos",
explica o advogado Marcos Lavrin, 29 anos, frequentador de um dos bares mais procurados por executivos, o Fortunato Bar, na Rua França Pinto. Abordado pela equipe de reportagem durante um happy hour, o advogado, que trabalha em um dos escritórios nos arredores, conta que a região virou parada quase obrigatória às quintas-feiras. “Já ouviu falar que a quinta é nova sexta-feira? Pois bem, quase toda quinta estou por aqui”, conta o advogado que reforça a percepção coletiva de que os entusiastas de happy hour preferem às quintas, já que a maioria dos escritórios oferecem o home office
às sextas. “Agora, com o metanol, tenho preferido beber mais em casa".

Um obstáculo chamado metanol
O motivo pelo qual Marcos tem aderido aos drinks feitos em casa ao invés dos clássicos coquetéis nas bancadas do Fortunato é o mesmo que tem afastado a clientela dos bares em toda São Paulo e causado uma queda de quase 27% na venda de destilados na cidade, segundo pesquisa divulgada pela NielsenQI.
Altamente tóxico e mortal quando ingerido, o metanol, ou álcool metílico, é usado principalmente no ramo industrial como solvente e combustível. Sua presença foi detectada em bebidas alcoólicas adulteradas comercializadas em adegas, bares e restaurantes na capital, no início de setembro, após a Secretaria Municipal de Saúde registrar cerca de 47 casos confirmados de intoxicação. Até o fim de novembro, 9 pessoas morreram e outros oito casos seguem em investigação.
"Em um primeiro momento focamos na assistência dos intoxicados e depois comunicamos a vigilância, fazendo uma parceria com o Estado e a Justiça para realizar uma investigação mais aprofundada",
explicou Luiz Carlos Zamarco, secretário municipal da Saúde, durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do metanol conduzida pela vereadora Zoe Martínez.
O receio não é à toa: devido à coloração transparente e odor imperceptível, detectar a contaminação é impossível. Os sintomas iniciais – náuseas, vômitos, tontura e confusão mental – se assemelham à embriaguez, mas podem evoluir para alterações na visão, convulsões, cegueira permanente e até óbito. "Quanto antes o paciente receber atendimento médico, maiores são as chances de vida", acrescentou Zamarco. A questão que paiava no ar era: os alertas seriam suficientes para manter os paulistanos longe dos bares?


Uma cidade que insiste em beber
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Mesmo diante do episódio envolvendo o metanol, o saldo em relação aos consumidores registrado nos primeiros finais de semana de outubro em bares e restaurantes da capital parecia não ter sofrido um impacto tão brusco. A Associação Paulista de Bares, Restaurantes, Eventos, Casas Noturnas, Similares e Afins (Apressa), confirmou, em nota oficial, que houve uma queda no setor. No entanto, o documento afirma que o consumo migrou para outros produtos, como vinhos, cervejas e bebidas sem álcool.
De volta à Vila Mariana, mais precisamente em um dos cruzamentos mais movimentados da região, que conecta os três campus das universidades particulares, está a Rua Álvaro Alvim. Nela, alguns bares chamam a atenção pela movimentação de jovens ostentando imensos copos de plástico que ora possuem cerveja, ora o famoso "copão" — drinks elaborados em adegas que misturam doses de destilados como gin, vodca ou whiskey somados a gelos saborizados e energéticos.
É em um desses bares que Daniel Ferro, 20 anos, e os colegas da turma de publicidade e propaganda da Faculdade Paulus de Comunicação costumam ir após o fim do semestre letivo. "Quando saiu a notícia dos primeiros casos, percebi que teve uma grande dispersão por medo de beber algo contaminado. Mas agora, vejo que muito desse medo passou e as pessoas já voltaram a beber. No final do semestre, o que mais tem é gente no bar!", frisou o estudante. "Não tem só bebidas. Tipo, eu não gosto de beber, mas se o bar oferece alguma coisa para comer, por exemplo, um hambúrguer ou uma porção, eu costumo gostar mais", acrescentou a colega de Daniel.
No mesmo cruzamento, a reportagem mapeou três estabelecimentos que conseguiram manter suas mesas ocupadas mesmo após o cenário envolvendo as intoxicações por metanol. Cada um com sua especialidade, eles compõem a diversidade que cresce na região.

O drink chefe da casa é o famoso “copão” de gin ou vodka (R$15), que ganhou renome por cumprir o papel de satisfazer a necessidade de beber bastante e pagar pouco. O bar também oferece drinks criativos, como o “Whatsapp” (R$22), uma mistura de Vodka com Xarope de maçã verde e Água com Gás.
Rua Dr. Álvaro Alvim, 146 - Vila Mariana, São Paulo.
Terça à quinta, das 17h às 24h, e Sábado, das 18h à 1h.
Rua Dr. Álvaro Alvim, 201 - Vila Mariana, São Paulo.
Terça à sexta, das 16h30 às 23h30.
Rabo de Galo
Cozinha da Villa
Desde 2018, o Cozinha da Villa aposta em uma fórmula que tem dado certo: misturar o clima jovem e descolado com a essência do boteco tradicional. O resultado é um espaço onde lanchonete gourmet e bar raiz coexistem sem conflito.
O cardápio reflete essa dualidade: caipirinhas clássicas de frutas (R$20) dividem espaço com drinks autorais preparados na bancada lateral – como o Jack Honey Lemonade (R$37), feito com whiskey de mel, suco e pedaços de limão finalizado com soda.
Para quem quer apenas uma cerveja ou se aventurar nos smash burgers, carro-chefe da casa, Eduardo Garcia, gerente do Cozinha, afirma que o local entrega as duas experiências e mais um pouco.
"Aqui, além de ser um bar, uma lanchonete, também é a nossa segunda casa. Nosso patrão também é um amigo da gente, não só um patrão. O bar é bem aconchegante e todos serão bem-vindos aqui."
Os smash burgers, a propósito, prestam homenagem à região: todos levam nomes de ruas famosas do bairro. O Rio Grande (R$29), por exemplo, que combina 100g de carne bovina com pernil desfiado, queijo cheddar derretido e duas fatias de bacon, surpreende pelo sabor equilibrado, suculência e tamanho generoso. Acompanhado da porção de batatas rústicas (R$28) e uma cerveja gelada, completa a experiência gourmet que flerta com a descontração de boteco.

Rua Humberto I, 1072, Vila Mariana, São Paulo.
Segunda à sexta, almoço 11h às 15h e happy hour 18h às 23h.
Janela Bar
O clima do Janela Bar, na Rua Álvaro Alvim, 201, aparenta tranquilidade quando visto de fora. A unidade, que pertence a uma rede de franquias de origem curitibana, criada em 2017, oferece um cardápio com lanches e porções generosas, com opções vegetarianas, drinks não alcoólicos e sanduíches sazonais, como o hambúrguer de waffle.
Apesar do conceito simples e já conhecido na Vila Mariana, o dono da casa, Gustavo Lousado, afirma que o lugar se destaca pelos preços acessíveis e ambiente aconchegante, que buscam atender principalmente aos universitários da região.

Foto: Divulgação

“Pelo que o bar propõe, a persona dele, se encaixa diretamente com o público das faculdades. É um público jovem, descolado e alternativo.”
As opções mais recomendadas por ele são os hambúrgueres João Frango (R$33), que acompanha maionese da casa, pão brioche, queijo cheddar, frango frito e salada cítrica – um lanche simples, mas com ingredientes que trazem consistência e sabores que agradam ao paladar; e o Janelamelt (R$35), com a clássica combinação entre pão australiano, cheddar melt, cebola caramelizada, bacon, maionese da casa e dois smash burgers, com uma gama maior de sabores.
Para quem quer conhecer um drink diferente, o destaque vai para o Seu Jão (R$20), feito com suco de limão, xarope de tangerina, refrigerante de gengibre e cachaça de jambu (erva muito utilizada na culinária do norte do país). O sabor cítrico se sobressai à picância, o que cria uma bebida doce e simples, mas agradável.

O Rabo de Galo é a favorita dos universitários da região que procuram uma opção barata e rápida para beber. Aberto em 2023, o bar também se encontra na Rua Álvaro Alvim, mas se destaca pela presença de um ambiente animado e divertido. Segundo o gerente do bar, Paulo Veronesi,
“A grande maioria, normalmente, quer beber bastante e pagar pouco. Drinks baratos, cerveja de litro, é isso que atraem eles. Se tiver DJ, música e ambiente legal, eles gostam.”





